24 ª Parada da Diversidade - Ninguém sabe, ninguém viu!
- Mãe Dú Geek

- 19 de set.
- 3 min de leitura
E voltando aqui para mais uma resenha sobre o novo modelo implantado na 24ª Parada da Diversidade em Recife.

Mas afinal, o que é a Parada da Diversidade e o que ela representa? A Parada da Diversidade é um evento que acontece anualmente promovido por representantes de movimentos e organizações para celebrar o orgulho da diversidade sexual e de gênero. Em segundo lugar, é também uma luta de manifestação por reivindicar direitos iguais para a comunidade LGBTQIAPN+, como o casamento homo-afetivos e o fim da discriminação. E em terceiro e não menos importante, é um evento que serve para dar visibilidade à comunidade e conscientizar a sociedade sobre a luta contra o preconceito e a violência homofóbica, transfóbica e bifóbica. E por fim, é uma abertura não só para festas, mas também espaços para discussão de políticas públicas, campanhas de conscientização e o fortalecimento da cidadania.
Mas o que dizer desde novo modelo implantado pelos organizadores do evento?
Como muitos já devem saber a 24ª Parada da Diversidade de Pernambuco teve um novo formato neste domingo (14), e foi todo concentrado no Parque Dona Lindu, na chamada agora "Arena da Diversidade". E dessa vez SEM o tradicional desfile com trios elétricos pela Avenida Boa Viagem.

Segundo os organizadores, a mudança foi pensada pela organização para oferecer maior segurança, acessibilidade e participação do público,
Lembrando que o tema da 24ª Parada da Diversidade é “Orgulho LGBTQIAPN+: Ame com Liberdade, Viva com Orgulho em Pernambuco”. Mas o que deveria ser uma festa de orgulho e representatividade não passou de um showmício político promovido entre as parcerias envolvida.
E o espaço que prometia reunir milhares de pessoas, ficou vazio! Assim, que era um ato de visibilidade ficou escondido, segregado!

O termo já diz; "Parada" que é frequentemente associado a desfiles e eventos públicos que demonstram o orgulho de uma comunidade ou grupo, como é o caso da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, a maior do mundo. A Parada da Diversidade de Pernambuco deveria seguir esse mesmo modelo, adaptado à realidade local, como um grande ato público de celebração e luta.
A 24ª Parada da Diversidade foi SEGREGADA!
Mas no entanto não irei desmerecer o esforço que os organizadores fizeram para reunir essa bela programação cultural, artística e política em um único local, nesse novo formato ao qual em parte devo parabenizar pela integração de artistas locais, as performances drags e de nomes conhecidos da música pernambucana como Mari & Rayane, Dany Myller, Gabi do Carmo, além de Afoxé Oxum Pandá e Bloco Obirin.

Entretanto, devo ressaltar, com este novo formato quis dizer que o evento continuaria sendo um espaço de luta, reivindicação e celebração da comunidade LGBTQIAPN+. Com relação a isso, realmente não há duvida.
Queriam buscar um novo formato. E conseguiram até criar o tal espaço mais seguro e acolhedor. Afinal o evento contou com um esquema especial com mais de 500 profissionais de segurança, incluindo polícia militar, civil, bombeiros e drones. O trânsito não teve mudanças significativas.

Realmente estávamos todos seguros. Mas... E ao entorno das ruas que foram isoladas? E os veículos tinham que desviar, tornando dificultoso o acesso? Será que ficaram sabendo que muitos sofreram arrastão nas parada de ônibus, antes mesmo de chegarem ao evento? E no término? Então, o retorno após o evento foi mais dificultoso ainda. Não havia ruas para Uber pegar passageiros. Eram longas as horas de espera. E só quem estava lá, sabe o transtorno que foi pegar um veículo.
Ou seja, tudo foi muito bem revisado, planejado e efetivo. Mas esqueceram de dizer que tudo foi feito em prol dos seus próprios interesses.

Esqueceram também de observar que, apesar de todo esse aparato, o evento perdeu seu brilho. Faltou glamour, resistência, desfile e calor frenético dos trios elétricos que embala em um só êxtase a ousadia de se mostrar, de levar a outros o conhecimento de que apesar de tudo, sempre estávamos ali resistindo para existir.
A elite, que domina o poder público, falou mais alto.
Até a nossa tão famosa bandeira gigante e orgulhosa que representa o foco na luta pela resistência, perdeu seu brilho. Ela ficou ali na beira mar estirada, exposta, flamulando e sem glamour daqueles anos em que orgulhosa esperava as milhares de pessoas que vinham para estar ali para defender seu orgulho, ao seu lado gritando e cantando pela igualdade de direitos e o respeito às diferenças.

Mas que desta vez não vieram, e ela ficou ali coitada, se agitando em um movimento sofrido pelo isolamento a qual foi submetida.
E é isso! Encerro aqui deixando meu desabafo com tristeza, dizendo que neste dia 14 de Setembro de 2025, a 24ª Parada da Diversidade encerrou; "Ninguém sabe, ninguém viu!"




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